“É preciso considerar que toda curadoria é um exercício de reunir diferentes falas”, diz o curador convidado Alexandre Sequeira

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O curador convidado Alexandre Sequeira. Foto: Irene Almeida

Na mostra “Desejos Pessoais, pulsões coletivas – Quando as imagens tomam posição”, em exibição no Museu Casa das Onze Janelas como parte do 12º Diário Contemporâneo de Fotografia (DCF), as obras celebram o direito às diferenças e demarcam: é preciso agir frente às ameaças que se colocam aos direitos civis. O curador convidado Alexandre Sequeira destaca que se debruçou nos mais de 10 anos da iniciativa, para analisar a Coleção instituída em 2016 e que compõe um precioso acervo da produção artística nacional, e buscar novos nomes para dialogar com as imagens.

Nesta entrevista, ele conta como foi inspirado pelo filósofo francês Georges Didi-Huberman em sua publicação chamada “Quando as imagens tomam posição”, em que autor relata a experiência do dramaturgo alemão Bertold Brecht, no período se exílio entre 1933-1955, no contexto da Segunda Guerra Mundial – e como isso influenciou a mostra desta edição do DCF.

 

O tema das mostras deste ano tem claramente uma posição. É sobre gênero, raça, classe… temas oriundos das discussões sobre luta por direitos. Por que este ano se evidencia de forma tão contundente estas abordagens?

É preciso considerar que toda curadoria ela é um exercício, né? É um exercício de reunir diferentes falas, diferentes enunciados de natureza poética em torno de um eixo conceitual, em torno de uma ideia central. E a ideia central deste ano é olhar para a coleção do Diário Contemporâneo de Fotografia, construída ao longo dos 12 anos e quando a gente olha para uma obra, a gente tenta compreender a potência dessa obra de se ressignificar ao longo da história. E, claro, quando eu olhei para a coleção, identifiquei diversas possibilidades de discussão e considerei, por tudo que a gente está vivendo, inclusive de ameaças de garantias constitucionais, esse momento tão triste, que seria muito importante a gente ter uma coleção à serviço de algumas pautas que eu considero urgentes.

E como se deu essa seleção?

Então, foi nítido perceber questões ambientais, questões ligadas a etnias ou raças, questões sociais. Selecionamos alguns trabalhos da coleção que se colocassem como indutores dessas questões para a partir deles reunir convidados, levantar um número de artistas convidados que pudessem se aproximar dessas obras da coleção, criar zonas de interseção, mas nem sempre apaziguantes, ora como zonas de atrito, ora de convergência, mostrando também esse papel da arte que é um papel de, digamos, de um espaço de construção de ideia a partir de diferentes pontos de vista, do reconhecimento como o território do contraditório, então diferentes opiniões se colocando, se reunindo em torno de um grupo de imagens.

São mais de 10 anos do DCF e em 2016 foi instituída a Coleção. Como foi se debruçar nesse acervo para se ter esse fio condutor para dialogar com os convidados?

O desafio de olhar para uma coleção desse porte claro que é enorme, mas acho que tomei como base o nosso momento: como pensar essa coleção hoje? Nos dias de hoje, com as questões que se colocam, como compreender a arte como esse instrumento que constrói sentidos, que convoca as pessoas a refletirem sobre determinadas questões? Tomei como referência uma publicação de Didi Huberman [filósofo e historiador da arte francês] que o título é “Quando as imagens tomam posição”. E, nessa publicação, Huberman se debruça no trabalho desenvolvido por Bertolt Brecht [dramaturgo e poeta alemão] entre os anos 1932 até 1955, um pouco o período que antecede à ascensão do nazismo, e Bertolt Brecht enquanto dramaturgo, com o olhar bastante crítico em relação às questões sociais e judeu, se recua e para um pouco a sua produção no campo do teatro e pega uns cadernos e começa a trabalhar com colagens de imagens, em que ele colhe essas imagens de diferentes procedências – da imprensa, de um livro, de um recorte artístico… e ele coloca as imagens nos álbuns dele lado a lado justamente para criarem zonas de tensão, de reflexão. E eu lembrei logo do trabalho do Brecht e das reflexões do Didi Huberman para conduzir a curadoria.

De fato, está bem delimitado na mostra da Casa das Onze Janelas, “Desejos pessoais, pulsões coletivas: quando as imagens tomam posição”.

Sim, há uma intenção de se pensar também como esse trabalho é recebido e como ele reverbera no coletivo. Por isso, a seleção dos convidados se deu a partir de eixos temáticos, para dialogar com determinados trabalhos. E saí procurando pelo Brasil todo, a partir de prospecções que eu já havia feito ao longo dos meus anos de trabalho, diferentes falas. Eu achava importante, por exemplo, ter uma fala trans, ter uma fala negra, ter uma fala indígena… que por muito tempo se colocaram como sendo referidas por outro alguém. Na exposição [na Casa das Onze Janelas]  o público também pode se colocar em relação a isso, compreendendo que toda obra, todo enunciado, é parcial, ele parte de um determinado ponto de vista, a partir de um determinado recorte… Então, do mesmo modo, quem aprecia também traz todo seu repertório, suas questões para se encontrar com aquela imagem.

Por falar em público, qual a tua expectativa para a leitura dos visitantes?

A ideia é também convidar, de certa forma, estimular a população, não só paraense, a todos os visitantes, compreenderem realmente isso como um bem simbólico que merece ser apropriado criticamente. O simples fato de uma obra encontrar com outra, ela já propõe uma nova interface e, assim, a coisa vai se desdobrando em muitas possibilidades de interpretação, estudo, de análise.

A gente percebe claramente, Alexandre, que se fala de política nesta mostra, no sentido de ter uma posição política. Como essa postura se dá na arte?

Eu acho que viver é um ato político por si só. E, às vezes, a gente tem um entendimento muito redutivo da palavra e o ato de fazer política perpassa as questões mais cotidianas, né? Mas a política se estabelece no ambiente familiar, no ambiente de trabalho, na rua, no tecido social, em todas as relações. Viver é político. E eu acho que, de certa forma, a arte enquanto mapa afetivo e simbólico de uma sociedade traz em si, ela reflete, ela ilumina determinadas linhas de força que estão postas no nosso convívio social. A arte tem um caráter de desafio, de inovação, de lançar luzes sobre o que está um pouco mais a frente. Então, nessa mostra, estão questões que não partem da ideia de que o outro mereça ser silenciado ou aniquilado, mas simplesmente de que o direito às diferenças coexistam.

 

Serviço

Mostra Desejos pessoais, pulsões coletivas – Quando as imagens tomam posição
Museu Casa das 11 Janelas – R. Siqueira Mendes, s/n – Cidade Velha
Visitação até 14/11/2021
de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita às terças-feiras e aos domingos 1kg de alimento não perecível por 4 ingressos. Demais dias: R$ 4, com gratuidade a estudantes, professores, pessoas portadoras de deficiência e crianças até 12 anos

Mostra Pulsões – Diálogos com a coleção DCF
Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) – Av. Gov. José Malcher, 1192 – Nazaré (entrada pela Av. Generalíssimo Deodoro)
Visitação até 28/11/2021
de terça à sexta-feira, das 9h às 17h – finais de semana e feriados, das 9h às 13h
Entrada gratuita

 

Mostra “Pulsões” é aberta no Museu da UFPA

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“Uroboro”, de Denise Gadelha, PA/SP, 2019. Vídeo 6’33 – Artista convidada

 

A intensidade passional ou a energia psíquica não dominada pela razão é o cerne da exposição “Pulsões”, eixo que compõe a programação do 12º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. A mostra abre para convidados nesta quarta-feira (6), no Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPa), e ao público na quinta-feira (7).

 Com curadoria de Mariano Klautau Filho, a mostra “Pulsões” deriva do diálogo com a exposição “Desejos pessoais, pulsões coletivas: quando as imagens tomam posição”, em cartaz na Casa das Onze Janelas, proposta por Alexandre Sequeira, curador convidado desta edição do DCF.

 No MUFPA, Klautau Filho reuniu obras de sete artistas da Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia e de dez artistas convidados. “Com o mote trazido por Alexandre, tomo o pulsional nesta mostra para experimentar com o espectador, nas mais diversas frequências, o modo como o artista rebate à realidade circundante em sentido erótico, corpóreo, passional, afetivo mas nunca apaziguador. De preferência lúcido e capaz de não perder a sua potência imaginativa”, diz Mariano, curador geral do DCF.

 Da coleção do Prêmio, compõem o eixo “Pulsões” obras de Ana Mokarzel (PA), Coletivo Garapa (SP), Flavya Mutran (PA/RS), Hirosuke Kitamura (JP/BA), Jorane Castro (PA), Renan Teles (SP) e Tom Lisboa (PR). Dos artistas convidados, integram a mostra Denise Gadelha (PA/SP); Betania B (PA); Duda Santana (PA); Victor Galvão (RJ), Laiza Ferreira (PA/RN), Melissa Barbery (PA), Patrícia Teles (RJ), Paulo Mendel (RJ/SP) & Vi Grunvald (PA/RS), Randolpho Lamonier (MG) e Waléria Américo (CE).

Entre a cidade e o corpo

No recorte proposto por Mariano Klautau Filho, o elemento “pulsão” não distingue vida e morte, que se encontram numa mesma linha de tensão. O eixo traz, então, obras  como “Uroboro” de Denise Gadelha, um transe na ruína inventada do Bosque Rodrigues Alves, em Belém. “Essa ruína foi construída, ela é um simulacro de ruína. A obra trata da questão da origem do mundo, em uma câmera que gira, num movimento ritualístico e hipnótico. É uma metáfora das cidades feridas”, comenta o curador.

 Ainda no aspecto urbano, estão na exposição a literatura dos muros da cidade de Melissa Barbery; os retratos fantasmáticos de Flavya Mutran e a instalação sonora de Waléria Américo feita a partir de sons de tiros da violência cotidiana. A mostra traz ainda as performances de Duda Santana e Patrícia Teles; colagens de Laiza Ferreira, os retratos noturnos dos marajoaras produzidos por Betania B.

 Ganham destaque também os trabalhos de Jorane Castro, Hirosuke Kitamura e Renan Teles onde a energia sexual está muito presente. Os “Palimpsestos” de Tom Lisboa também refletem a urgência das ruas e se complementam no filme “Domingo” de Paulo Mendel e Vi Grunvald. “O filme da dupla mostra uma festa em uma comunidade LGBTQI+ de SP. São conversas, lazer, um hino à liberdade afetiva e ao mesmo tempo, uma atitude de resistência política. Um belo retrato de uma juventude brasileira”, diz Mariano.

Segundo o curador, a mostra busca abrir janelas de provocação, como um respiro e ao mesmo tempo reflexão sobre o país. “Ofereço como antídotos para todos nós, sobreviventes de um novo triste trópico que esperamos recuperar-se em breve, propõe Mariano em seu texto curatorial.

 O DCF é uma realização do jornal Diário do Pará e RBA com patrocínio da Alubar, Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Sebrae-PA, apoio institucional do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM), Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), e colaboração da Sol Informática.  

“Quaseilhas”, de Laiza Ferreira, PA/RN, 2018-2019 – Artista convidada

Serviço

Mostra “Desejos pessoais, pulsões coletivas – Quando as imagens tomam posição”
Museu Casa das 11 Janelas – R. Siqueira Mendes, s/n – Cidade Velha
Visitação até 14/11/2021
de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita às terças-feiras e aos domingos 1kg de alimento não perecível por 4 ingressos. Demais dias: R$ 4, com gratuidade a estudantes, professores, pessoas portadoras de deficiência e crianças até 12 anos

Mostra “Pulsões – Diálogos com a coleção DCF”
Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) – Av. Gov. José Malcher, 1192 – Nazaré (entrada pela Av. Generalíssimo Deodoro)
Visitação até 28/11/2021
de terça à sexta-feira, das 9h às 17h – finais de semana e feriados, das 9h às 13h
Entrada gratuita

 

 

A imagem que toma posição: saiba mais sobre a mostra na Casa das Onze Janelas

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Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (DCF) evidencia diálogos sobre temas sociais em obras do acervo e de artistas convidados 

 

Colhedoras de sempre-vivas”, imagem de 2021, do artista convidado João Ripper (RJ)

A imagem narra seu tempo: toma lado, recortada no espaço. E o que dissera antes, se vista e reinterpretada hoje? Obras de artistas da Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia (DCF), instituída oficialmente em 2016 mas com obras incorporadas em mais de uma década, foram revisitadas para dialogarem com trabalhos de artistas convidados na mostra “Desejos pessoais, pulsões coletivas: quando as imagens tomam posição” – que inaugura a décima segunda edição este ano. A abertura ocorre nesta terça-feira (5), às 19h, de modo restrito somente para equipe e artistas participantes, no Museu Casa das Onze Janelas, a fim de se evitar aglomerações. O público poderá visitar a mostra a partir desta quarta-feira (6). 

O diálogo inédito entre parte da coleção do DCF que reúne 12 artistas e mais 20 convidados, com curadoria de Alexandre Sequeira, traz provocações sobre temas sociais que incluem o debate de raça, gênero, território, dentre outros, sobretudo do que irrompe a partir da declarada redução de direitos civis em nosso país. “Essa pluralidade de artistas potencializa muito os desdobramentos do diálogo entre as obras”, destaca Sequeira. 

Para o curador, as obras revelam interlocuções de sentimentos que perpassam o Brasil de forma muito contundente, de Norte a Sul, e por isso se evidenciam enquanto aposta de uma abordagem curatorial que contemple diferentes regiões e visões. “Há que se buscar ouvir e ser ouvido numa humanidade que hoje fala por meio de muitas vozes, em uma polifonia harmoniosamente, sem a pretensão de alcançar uma uniformidade, mas com ação recíproca de vários motivos diferentes”, explica. 

“Desejos pessoais, pulsões coletivas” traz, entre os artistas convidados, Marcela Bonfim (RO), que pesquisa a negritude na Amazônia; Yuri Juatama (CE), e seu olhar afetuoso e vibrante sobre a região onde cresceu, na periferia de Fortaleza; Ubiratan Suruí (MS/RO), artista indígena que faz uso de imagens da internet em sua militância; Beatriz Paiva (PA), jovem artista que trabalha com a questão racial e feminismo; Nilmar Lage (MG) e seu trabalho comprometido com pessoas afetadas pelas barragens e mineração; e João Ripper (RJ), um dos nomes mais importante da fotografia humanista no Brasil.

A mostra traz ainda como convidados Alex Oliveira (BA), Ana Mendes (RS/MA), David de Jesus (MG), Erick Peres (RS), Gabriela Massote (RJ), Keyla Sobral (PA), Lau Baldo (RS), Paulo D’Alessandro (SP), Ramon Reis (PA), Roberto Bassul (RJ), Rochelle Costi (RS/SP), Sara não tem nome (MG), Victor Galvão (MG/SP) e Wilka Sales (PA/MA). Da coleção constam obras de  Ana Lira (PE), Daniela Alves e Rafael Andorjan (RJ), Diego Bresani (DF), Geraldo Ramos (PA), Julia Milward (RJ), Marcílio Costa (PA), Mateus Sá (PE), Paula Sampaio (MG/PA), Péricles Mendes (PA), Randolpho Lamonier (MG) e Rodrigo José (PA).

“Em trabalhos como os de João Ripper percebemos causas sensíveis e urgentes, como o registro de comunidades no norte de Minas Gerais que vivem na colheita de flores sempre-vivas. Através dessa documentação, essas comunidades foram reconhecidas e foram premiadas pela ONU. Outro destaque é Rochelle Costi, que já esteve em duas bienais de São Paulo e outras pelo mundo todo, e mostra a vida na Amazônia e seus nativos, uma ode sobre o valor do homem amazônida, seu modo de viver, existir e se relacionar com a natureza”, diz Sequeira.

Frames do vídeo “Circunstâncias”, 2020, de Ramon Reis (PA) – Artista convidado

Diálogos

De acordo com Sequeira, se vistas separadamente como unidade estável, cada obra se apresenta como um universo singular, mas, se compreendida numa relação de diálogo com outras, revela uma estranheza capaz de multiplicar seu próprio aspecto. “É nessa perspectiva, enquanto território de encontro entre diferentes pontos de vista e da garantia do contraditório, que a mostra se oferece”, conta Sequeira, que convida o público a participar deste lúdico jogo de infinitas possibilidades. “Um campo de reflexão capaz de promover um intercâmbio entre diferentes posições e olhares. Uma redisposição que promove múltiplos encontros e novos entendimentos trazidos à tona pelo exercício combinatório”, diz o curador convidado.

Pulsões 

Movido pelo convite proposto por Alexandre Sequeira, Mariano Klautau Filho, curador geral do Diário Contemporâneo de Fotografia, assina também a curadoria da mostra “Pulsões”, que ocupa o Museu da UFPA e será aberta a convidados na quarta-feira (6) e ao público na quinta-feira (7). Ele explica que buscou se concentrar diretamente no caráter pulsional de nossas vidas e dos trabalhos selecionados. “Imagino contribuir com o eixo central da edição como uma resposta, um diálogo, um reflexo visceral ao estado de coisas que nos desafia no Brasil de 2019-2022, sob o comando nefasto e sem paralelo na história do país”, destaca Klautau.

Conceito oriundo da Psicanálise, “pulsão” trata das energias psíquicas internas do ser humano não orientadas pela consciência e que nesta edição está relacionada com os sentimentos que as obras suscitam. “Tendo a ‘pulsão’ como energia interna psíquica não controlada pela razão, faço a seleção de obras que falam de esperança e tensão em relação ao próprio corpo e à própria cidade, e até como manifestação política”, explica Mariano. Da coleção do Prêmio, compõem este eixo obras de Ana Mokarzel (PA), Coletivo Garapa (SP), Flavya Mutran (PA/RS), Hirosuke Kitamura (JP/BA), Jorane Castro (PA), Renan Teles (SP) e Tom Lisboa (PR).

Dos artistas convidados, integraram a mostra também o transe ritualístico na ruína inventada em “Uroboro”, de Denise Gadelha (PA/SP); os retratos noturnos dos marajoaras produzidos por Betania B (PA); a performance de Duda Santana (PA) com retratos que combinam elementos como concreto, folhas e terra; e Victor Galvão (RJ), que volta seu olhar para a cidade em desencanto e transformação. “Pulsões” traz ainda obras de Laiza Ferreira (PA/RN), Melissa Barbery (PA), Patrícia Teles (RJ), Paulo Mendel (RJ/SP) & Vi Grunvald (PA/RS), Randolpho Lamonier (MG) e Waléria Américo (CE).

O DCF é uma realização do jornal Diário do Pará e RBA com patrocínio da Alubar, Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Sebrae-PA, apoio institucional do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM), Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), e colaboração da Sol Informática.  

Serviço

Mostra Desejos pessoais, pulsões coletivas – Quando as imagens tomam posição
Museu Casa das 11 Janelas – R. Siqueira Mendes, s/n – Cidade Velha
Visitação até 14/11/2021
de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita às terças-feiras e aos domingos 1kg de alimento não perecível por 4 ingressos. Demais dias: R$ 4, com gratuidade a estudantes, professores, pessoas portadoras de deficiência e crianças até 12 anos

Mostra Pulsões – Diálogos com a coleção DCF
Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) – Av. Gov. José Malcher, 1192 – Nazaré (entrada pela Av. Generalíssimo Deodoro)
Visitação até 28/11/2021
de terça à sexta-feira, das 9h às 17h – finais de semana e feriados, das 9h às 13h
Entrada gratuita

 

 

Edição 2021 propõe diálogo entre obras do acervo e artistas convidados

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Curadoria busca responder questionamentos para provocar reflexões acerca de urgências dos dias de hoje 

 

Foto da Série “Ruínas de Sustentação”, 2018 de Duda Santana (PA) – Artista Convidada

A arte como provocação para refletir sobre as urgências do nosso tempo. O 12º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia traz como ponto de partida o encontro entre obras do acervo da coleção do projeto e de artistas convidados para elucidar alguns questionamentos como: o que deste encontro poderá ser revelado? Que tensões surgirão? A perspectiva é que o diálogo contemple ainda um elemento fundamental: o olhar do público. A decisão por este formato, sem edital de convocatória como em edições anteriores, foi pensada por conta de ainda estarmos em período de pandemia. A logística que envolve a organizacão de uma convocatória se mostrou muito complexa em um contexto ainda restrito, de dificuldades e incertezas. 

Com isso, o projeto centra a atenção na sua coleção, a Coleção Diário Contemporâneo de Fotografia, construída ao longo de mais de uma década, composta por mais de 45 artistas de diversas regiões do Brasil, e abrigada em dois museus públicos, Casa das 11 Janelas e Museu de Arte da UFPa, o que formata a mais relevante coleção de fotografia contemporânea da região norte, e uma das poucas do país com esse recorte curatorial. “O projeto sempre olhou para a fotografia em diálogo com outros suportes, discutida num escopo amplo da arte. Isso é especial em uma sociedade como a nossa, tão visual. Então me deparei, nesta curadoria, com uma coleção que se volta às questões muito emergentes dos dias de hoje, por exemplo, a perda de certezas que nos pareciam muito fundamentais”, explica Alexandre Sequeira,curador convidado desta edição, fotógrafo premiado e professor de Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Com o título “Desejos pessoais, pulsões coletivas: quando as imagens tomam posição”, a mostra faz referência aos estudos de Georges Didi-Huberman, filósofo e historiador francês, um dos principais pensadores da atualidade. Em um de seus escritos, Didi-Huberman reflete sobre a experiência vivida por Bertold Brecht em um momento extremo: quando o dramaturgo precisou interromper sua produção teatral durante a ascensão do nazismo. Perseguido, Brecht produziu cadernos de arte, compostos por imagens muito distintas. “Eram fotografias, recortes de jornal, propagandas. Brecht compunha as páginas com essas imagens, e elas começavam a ‘conversar’. Assim, quando aproximadas, confrontadano s, elas ganhavam nova significação”, ensina Sequeira.

Imagem da série “Webcasting_LiveStreaming”, 2013, de Renan Teles (SP) Coleção Diário Contemporâneo – Acervo Casa das Onze Janelas

Mostras

A exposição no Museu Casa das 11 Janelas, que será aberta no dia 5 de outubro, apresentará obras de 12 artistas da Coleção DCF e 14 convidados. “Esse encontro propõe zonas de reflexão, que nem sempre são de apaziguamento, mas de atrito, fricção”, diz Sequeira. “Após definir que obras do acervo fariam parte da mostra, fui em busca de artistas de fora da coleção. Convidamos pessoas de várias procedências: artistas que trazem em seu enunciado um recorte indígena, de questões de gênero, raça, questões sociais do contexto atual. Esses novos atores, ao entrar em contato com a coleção, a reativam, mantém a coleção viva e presente”, diz Alexandre. A mostra vai ser aberta ainda no Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), no dia 6 de outubro como um recorte intitulado “Pulsões” sob curadoria de Mariano Klautau Filho, curador geral do projeto. Como propõe o título, a mostra do MUFPA enfatizará o tom inquieto do eixo central da edição propondo relações entre corpo e cidade com trabalhos de 7 artistas da Coleção DCF e 8 artistas convidados. 

“O Diário Contemporâneo não é um evento, é um projeto de maior durabilidade que produz para a cidade um acervo importante de fotografia contemporânea, em constante crescimento. Sua coleção é um bem público, pois pertence aos museus, está disponível à visitação e à pesquisa e por isso trata-se de um projeto político, que busca envolver a comunidade de artistas, pesquisadores, estudantes e professores de arte”, frisa o curador geral do Diário Contemporâneo de Fotografia. 

Virtual + educativo

A edição deste ano terá também um “tour virtual” das mostras, que disponibiliza as exposições no formato digital no site do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia,  além de encontros e debates virtuais com a equipe de curadores e artistas. E nos museus, uma equipe interdisciplinar de mediadores receberá o público para visitas guiadas como o programa de ação educativa, para possibilitar aos visitantes novas experiências estéticas, novos olhares sobre as obras, sobre arte.

O DCF é uma realização do jornal Diário do Pará e RBA com patrocínio da Alubar, Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Sebrae-PA, apoio institucional do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Sistema Integrado de Museus e Memoriais (SIMM), Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA), e colaboração da Sol Informática.  

 

“O Diabo no Copo”, de Jorane Castro, 1988. Coleção DCF – Acervo Museu da UFPA.

 

Serviço

Mostra “Desejos pessoais, pulsões coletivas – Quando as imagens tomam posição”
Museu Casa das 11 Janelas – R. Siqueira Mendes, s/n – Cidade Velha
Visitação até 14/11/2021
de terça-feira a domingo, das 9h às 17h
Entrada gratuita às terças-feiras e aos domingos 1kg de alimento não perecível por 4 ingressos. Demais dias: R$ 4, com gratuidade a estudantes, professores, pessoas portadoras de deficiência e crianças até 12 anos

Mostra “Pulsões – Diálogos com a coleção DCF”
Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA) – Av. Gov. José Malcher, 1192 – Nazaré (entrada pela Av. Generalíssimo Deodoro)
Visitação até 28/11/2021
de terça à sexta-feira, das 9h às 17h – finais de semana e feriados, das 9h às 13h
Entrada gratuita

 

A Elegia Visual de Zé Barreta

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Elegia Visual, trabalho de Zé Barreta, não é exatamente um ensaio é, antes de mais nada, um lamento. Editado a partir de trabalhos documentais que perpassam a cidade, não pretende constituir um tema propriamente dito, nem um local específico. Sua geografia é outra e está inscrita na imagem apenas e no diálogo possível entre elas.

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Zé Barretta. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

A minha vivência é no fotojornalismo e no documentarismo. Eu venho fazendo trabalhos documentais há mais de 10 anos e todos com tema, lugar ou questão específica, especialmente em São Paulo, que é de onde eu sou. Para realizar esse trabalho foi feito, na verdade, um exercício de edição. Eu voltei para os arquivos, mas agora sem a preocupação de formar um tema definido e sim de ver como, ao longo desses 10 anos de documentarismo, as imagens dialogavam entre si.

Eu já venho fazendo isso desde o ano passado e quando eu veio o tema do Prêmio, achei de casava bem e fazia essa ligação. Por não ter um tema, esse meu trabalho vai para um lado, posso dizer assim, pessoal. As imagens vão falando e dando outros significados. Eu fiquei muito feliz que fui selecionado.

Essa pausa para olhar os arquivos ocorreu também agora, em 2020, mais intensamente, mas o começo do exercício veio do ano passado.

Nesse ano maluco, eu fotografei uma São Paulo vazia, algo que eu, como fotodocumentarista, nunca tinha visto na vida, mas também produzi em casa. Eu fotografei meu filho e fui mostrando um pouco dessa loucura que é ficar o tempo inteiro você e uma criança trancados dentro de casa.

Então, a questão dos arquivos só se aprofundou e tem muita coisa ainda para mergulhar.

Eu acho que, se tem um legado dessa pandemia, é entender que sim, as nossas tecnologias são muito úteis para conexão, mas nada substitui o encontro. As artes sofreram muito com esse recolhimento forçado porque as obras precisam desse encontro com o público.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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Beto Skeff apresenta os campos de concentração do Ceará

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Nos anos de 1915 e 1932, duas secas extremas assolaram o sertão cearense provocando migrações em massa do interior em direção à abastada Fortaleza na busca pela sobrevivência. Temendo que grande contingente de famílias “invadisse” a Capital, o governo criou espaços chamados Currais do Governo, que se assemelhavam aos campos de concentração – no entanto, antes mesmo da Segunda Guerra Mundial. Beto Skeff em “Currais das Almas”, conta que lá amontoavam-se os cidadãos que as autoridades denominavam de “flagelados”. Prometendo-lhes trabalho e comida, os sertanejos eram conduzidos para os miseráveis Currais à espera do tempo melhor. Estima-se que 73.000 pessoas foram confinadas sob condições extremamente precárias, o que resultou em muitas de mortes.

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Currais das Almas, de Beto Skeff, artista selecionado

Confira o seu depoimento:

Eu nasci no sertão do Ceará, numa cidadezinha muito próxima da cidade onde ficavam dois campos de concentração. Durante a minha vida toda, não ouvi relatos, não tive nenhum professor de história que nos levasse lá ou trouxesse esse tema para a gente durante os 17 anos que eu morei lá. É sério isso de apagar a história.

Aí quando foi em 2017, o Fernando Jorge, que também foi selecionado nesse ano e que tem uma pesquisa muito forte sobre a questão do apagamento, me levou para conhecer o campo de concentração de Senador Pompeu. Esse é o único campo que tem uma edificação, ela foi construída antes da chegada dessas pessoas por uma companhia inglesa sem nada a ver o assunto. Aí essa estrutura foi reaproveitada.

Hoje em dia já existe um resgate dessa história e, de uns anos para cá, essa história começou a ser recontada mais por iniciativas particulares do que por iniciativas governamentais e institucionais.

Tudo isso tem uma relação, por incrível que pareça, com o que a gente está vivendo agora. As questões do isolamento, da ‘história oficial’ e da existência de uma força governamental que esquece as pessoas estão presentes até hoje.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

Henrique Montagne e o bonde chamado desejo

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Em Um bonde chamado desejo, Henrique Montagne se apropria de fotografias de casais queer de épocas distintas e significativas do começo do século XX. 

As imagens foram achadas na internet e nelas ele cria, através do texto, uma possível narrativa ficcional, mas que poderia ser real em mundo onde as estruturas machistas e homofóbicas do patriarcado não tivessem sido instauradas. 

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Henrique Montagne e Rosely Nakagawa, curadora convidada da edição. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

Esse trabalho é uma pesquisa que eu já venho realizando, que faz parte da minha pós e que traz a questão dos relacionamentos afetivos, principalmente os relacionamentos queers.

Dentro dessa pesquisa, falar de relacionamento é também falar de história. Eu falo dessa construção dos corpos e dos amores que foram invisibilizados por essa história que a gente possui hoje, que é patriarcal e que escondeu essas narrativas.

A intenção desse trabalho é justamente focar de uma forma mais poética mas, ao mesmo tempo, crítica e política em como poderiam ser possíveis essas histórias, narrativas e imagens na nossa contemporaneidade. Por isso que brinco com essas referências da cultura pop e da literatura.

Eu fico muito feliz dele estar no Prêmio porque é um trabalho, não somente delicado, mas que também aguça essa outra perspectiva que é a de criticar.

Não é só um sonho, poderia ser realidade. É voltar ao passado para construir um novo futuro.

O texto junto das imagens é fundamental. A composição do texto com a imagem é o que constrói esse trabalho. Ele não é só a apropriação das imagens, é a composição dessa narrativa que é visual e textual. São pequenas histórias no paspatour que convidam a pessoa a olhar mais de perto

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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O retrato do que o corpo fala nas imagens de Karina Motoda

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“3X4”, série de Karina Motoda, é uma alusão direta às tradicionais fotografias utilizadas em documentos oficiais. No entanto, enquanto tais fotos padronizam os retratados, colocando-os na mesma posição, mostrando apenas os seus rostos e determinando a expressão que devem passar, a série parte em outro caminho. 

Ela busca propor questões de como nossas identidade e emoções podem ser expressas e o quanto as deixamos transparecer sem que sequer nos demos conta.

A artista foi selecionada para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Karina Motoda e Rosely Nakagawa, curadora convidada desta edição, na abertura da exposição. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

O trabalho surgiu de uma proposta na faculdade. Eu fazia uma disciplina que tinha fotografia analógica. Aí resolvi trabalhar com formatos pequenos e retratos. 

Quando eu vi o resultado, percebi que lembrava muito as fotos 3×4, mas eu tentava não ficar presa naquela pose padrão. Então, fazia fotos do corpo inteiro, de movimentos diferentes para mostrar que o corpo todo pode comunicar a identidade e os sentimentos da pessoa.

Associamos muito o rosto com as emoções, mas o corpo inteiro diz algo.

Eu gostei muito do nome da exposição falar de “pensamentos imperfeitos” porque eu queria trazer isso no trabalho. Por exemplo, se a fotografia é 3×4, nós somos obrigados a ficar sérios enquanto nos outros retratos sempre buscamos mostrar o nosso melhor lado e a nossa felicidade.

Nós temos sentimentos e colocamos valores neles, mas não existe certo e errado.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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Os diálogos familiares de Melvin Quaresma

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Em Diálogos familiares, Melvin Quaresma fotografa a casa da avó materna em todas as viagens que faz até Belém, sua terra natal. Tornaram-se personagens da série suas primas e primos, que agora brincam, convivem e crescem num espaço que também foi pátio de sua própria infância.

O artista foi selecionado para a mostra Vastas Emoções e Pensamento Imperfeitos.

Melvin Quaresma. Foto: Irene Almeida

Confira o seu depoimento:

Quando comecei a fotografar, isso por volta de 2012, eu percebi que gostava muito de fotografar pessoas, mas, ao mesmo tempo, eu sou muito tímido. Eu experimentei muito, mas o que mais gostei de fotografar era exatamente aquilo que eu tinha mais dificuldade: gente. Foi aí que comecei a fotografar a minha própria família.

Eu sou paraense, mas quando iniciei na fotografia já morava no Sul. Então, quando eu vinha visitar a minha família aqui, via que era um lugar em que eu estava sempre muito à vontade, pois era na casa da minha avó, que é o lugar onde eu cresci, com todas as pessoas que conheço.

Eu fui exercitando a minha fotografia assim e ela foi chegando em um ponto muito de saudade mesmo, de fotografar a infância dos meus primos como se estivesse fotografando a minha própria infância, fotografando lembranças muito fortes que eu tenho. Fui fazendo fotografia com esse sentimento de pertencimento em um lugar que também é muito meu, que é a casa 913, a casa da minha avó.

Nesse trabalho que está no Diário Contemporâneo, eu conversei com as minhas primas sobre várias fotos que eu tinha feito ao longo desses anos. Nós entramos em assuntos sensíveis, engraçados, tristes e em outros bem do tipo conversa de primo mesmo. 

Assim, se criou uma outra coisa que são as fotos junto das conversas. Eu deixei o gravador rodando, então ele gravou horas de papo.

Eu acho que as conversas transformaram tudo o que eu já tinha feito para caminhos que jamais poderia imaginar. Depois que as minhas primas me dizem algo sobre a foto, a imagem não é mais só uma foto, ela se transforma na mistura do que ela representa para cada um de nós.

Ressignificamos várias imagens juntos.

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal Diário do Pará com apoio institucional do Museu do Estado do Pará, do Sistema Integrado de Museus, SECULT e do Museu da UFPA; colaboração da Sol Informática, patrocínio da ALUBAR e patrocínio master da VALE.

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As flores da casa de Anna Ortega

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A casa, para Anna Ortega, artista que levou o Prêmio Residência Artística Belém, sempre foi um ambiente de acolhida. Não há casa sem flores é um projeto ainda em andamento no qual ela mergulha neste lugar simbólico. 

A artista fará a residência artística em Belém com a orientação de Alexandre Sequeira em 2021.

Anna Ortega. Foto: Divulgação.

Confira o seu depoimento:

Eu sou uma mulher criada por mulheres. Fui criada pela minha mãe, minha avó e pela minha tia. Quando eu nasci, a minha primeira noite no mundo foi com a minha avó, dormindo nos braços dela. A minha casa sempre foi uma casa de mulheres.

Aos poucos eu fui me interessando pela fotografia, pelo vídeo, pela imagem e pela expressão. Eu sempre me interessei pelo cotidiano e pelo que era ordinário, o que era miúdo.

Ano passado, em 2019, eu comecei esse trabalho que se chama “Não há casa sem flores”. O título vem de um hábito que nós temos, herdado da minha avó, que é o de sempre cultivar flores em casa e sempre ter um vaso com flores.

Desde o ano passado eu venho documentando essa minha casa e as mulheres dela a partir de retratos. A princípio, era um trabalho estritamente fotográfico documental da casa, do cotidiano, do nosso elo. 

Nós somos muito juntas e isso é uma coisa que vem atravessando o trabalho. Nós temos um corpo nosso comum que é de muito amor e muito afeto. Esse cuidado e esse carinho que me levaram a querer entender as imagens que isso podia trazer.

O que apareceu aos poucos no processo foi o interesse em trazer o vídeo também para o trabalho. O vídeo que está na exposição deste ano do Diário Contemporâneo é uma reunião de vários vídeos que fiz no ano passado, nos quais eu sento à mesa e começo a gravar da perspectiva das flores do vaso que fica sempre nela.

Eu observo e ouço essas conversas, além de estar presente conversando. 

Foi uma forma diferente que eu encontrei para além do retrato da fotografia, mas que não deixa de ser um retrato também. É uma forma diferente de retratar, fazendo isso ao compartilhar um momento. Meu interesse foi o de entender esse cotidiano, além de ouvir e ver os gestos dele.

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